TDAH sem remédio funciona? O que a evidência mostra sobre as alternativas
Atualizado: 29 de set.

Estima-se que 5% a 8% da população mundial é diagnosticada com TDAH, segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA).
Embora alguns casos graves exijam medicamentos, a medicina integrativa vem recomendando tratamentos naturais e alternativos para cuidar do problema. Nesse aspecto, existem remédios naturais, terapias ou mesmo mudanças de hábito que costumam ser altamente eficazes.
Se você quer entender mais sobre o assunto, assista ao vídeo da Dra. Rochelle Marquetto, Médica com especialização em Psiquiatria da Clínica Pontual e acompanhe a leitura até o final.
Quando é necessário tratar o TDAH com remédios
O TDAH é um transtorno neurobiológico que afeta crianças, adolescentes e adultos. Em certos pacientes a prescrição de medicamentos é necessária para ajudar a aumentar a concentração, foco e atenção, além de reduzir a impulsividade e hiperatividade.
É importante lembrar que todos os remédios usados para tratar o TDAH podem apresentar contraindicações. Dentre os efeitos colaterais mais comuns, estão:
Náusea
Dores de cabeça
Insônia
Perda de apetite
Tonturas
Hipertensão
Lembre-se que apenas o médico pode avaliar se o benefício do uso de medicamentos supera os riscos e efeitos colaterais, já que é preciso levar em conta cada caso e particularidades do paciente.
Abordagens alternativas para o tratamento do TDAH
Um dos motivos de tratar o TDAH sem o uso de remédios está relacionado à eficácia a longo prazo, ao contrário da eficácia temporária dos medicamentos.
Biofeedback e neurofeedback são técnicas estudadas como apoio no TDAH, mas a evidência disponível ainda é limitada e inconsistente. Elas não corrigem a causa do transtorno e não substituem o tratamento estabelecido: a medicação, quando indicada, e as intervenções comportamentais seguem sendo as abordagens com melhor respaldo.
De modo geral, tais terapias focam em oferecer ao paciente a capacidade de desenvolver habilidades de autocontrole, gerenciamento e planejamento para superar os sintomas do TDAH.
Conhecendo a terapia de biofeedback
As técnicas de biofeedback se concentram em oferecer ao paciente mais autonomia e controle sobre seus sentidos e reações. Durante a terapia, a pessoa é conectada a sensores que monitoram sinais biológicos, como frequência cardíaca, atividade muscular e respiração. Esses sinais são exibidos em tempo real em um monitor, permitindo que a pessoa visualize e aprenda a controlar suas respostas fisiológicas.
O objetivo declarado da terapia de biofeedback é ajudar a pessoa a perceber e regular respostas fisiológicas, como respiração e tensão muscular. Durante a sessão, o paciente aprende a reconhecer sinais de ansiedade ou de dispersão da atenção e a aplicar técnicas de autorregulação. No TDAH, esse papel é de apoio e segue em investigação — não substitui o tratamento indicado pelo médico.
Conhecendo a terapia de neurofeedback
A terapia de neurofeedback se concentra especificamente na atividade cerebral, diferente da terapia de biofeedback, que monitora outras funções corporais, como a frequência cardíaca e a respiração.
O neurofeedback propõe treinar o paciente a modular padrões de ondas cerebrais associados à atenção e ao autocontrole. Essa é a hipótese de funcionamento da técnica, ainda em investigação — não um efeito demonstrado.
Os ensaios clínicos de neurofeedback no TDAH têm resultados divergentes: estudos abertos costumam mostrar melhora, mas os ensaios com avaliação cega não confirmam de forma consistente um efeito superior ao do grupo controle. Por isso o neurofeedback não é recomendado como tratamento de primeira linha para o TDAH.
Como a alimentação pode ajudar pacientes com TDAH
A alimentação sozinha não pode ser usada como tratamento para TDAH, mas desempenha um papel complementar importante na gestão dos sintomas.
Existem alimentos que podem ajudar a melhorar a concentração e reduzir a hiperatividade, como proteínas, carnes, ovos, sementes e grãos integrais, entre outros.
Esses alimentos podem ajudar a estabilizar os níveis de açúcar no sangue e fornecer aminoácidos importantes para o bom funcionamento do sistema cerebral. Frutas e vegetais também são ricos em vitaminas e antioxidantes que melhoram a função cognitiva e reduzem a inflamação.
É bom lembrar que existem alimentos que devem ser evitados ou consumidos com moderação, pois costumam piorar os sintomas. Abaixo segue uma lista:
Açúcar: pode causar picos de energia seguidos por quedas abruptas e afetar negativamente a concentração e humor. Evite doces e refrigerantes, por exemplo.
Cafeína: Embora aumente a energia, em algumas pessoas poder agravar a hiperatividade e a ansiedade. Evite café, chá preto e bebidas energéticas com altos níveis de cafeína;
Alimentos processados: batatas fritas, salgadinhos e fast food em geral, podem conter aditivos artificiais, corantes, conservantes e outras substâncias que afetam a química cerebral, agravando os sintomas do TDAH.
Terapia psicoeducativa e sua eficácia no tratamento de TDAH?
Um estudo publicado em 2021 no Journal of Attention Disorders investigou a eficácia da intervenção psicoeducativa como alternativa para o tratamento do TDAH.
Os resultados da análise mostraram que a terapia comportamental é uma opção eficaz de tratamento e apresentou resultados semelhantes à medicação em termos de melhoria dos sintomas. Além disso, a técnica também contribui para a melhora do comportamento social e desempenho acadêmico.
O estudo sugere que a terapia pode ser viável como método de tratamento para o TDAH, principalmente em pacientes que não respondem bem aos remédios.
De fato, a técnica pode envolver uma variedade de estratégias para ajudar o paciente a entender e gerenciar melhor os sintomas, incluindo:
Educação sobre o TDAH: Os pacientes recebem informações sobre os sintomas do TDAH, como eles afetam a vida diária e as opções de tratamento disponíveis.
Treinamento em habilidades de gerenciamento de tempo e organização: A terapia ajuda os pacientes a aprender a gerenciar melhor seu tempo, estabelecer metas e prioridades, e a lidar com a desorganização.
Treinamento em habilidades sociais e de comunicação: consiste em ajudar os pacientes a melhorar suas habilidades sociais, como a comunicação assertiva, a resolução de conflitos e a construção de relacionamentos.
Treinamento em habilidades de resolução de problemas: Os pacientes aprendem a identificar e resolver problemas relacionados ao TDAH, como a procrastinação, a distração e a desorganização.
Treinamento em habilidades de relaxamento e redução do estresse: A terapia ensina técnicas de relaxamento, como a respiração profunda e a meditação, para ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade.
Conclusão
Com base nos estudos mencionado e em diversas pesquisas sobre o assunto, é possível concluir que o tratamento do TDAH sem remédios é uma opção aplicável em muitos casos. Como visto, existem várias terapias e alternativas naturais que podem ajudar o paciente na melhora dos sintomas e no aumento da qualidade de vida.
No entanto, é necessário reforçar que cada situação é única e pode variar de acordo com as necessidades individuais do paciente.
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Reconhecer sintomas não é receber um diagnóstico
Um texto ajuda a nomear o que você sente, mas o diagnóstico psiquiátrico considera histórico, tempo de evolução e outras condições que produzem sintomas parecidos. Se você se identificou com o que leu, o passo seguinte é uma avaliação com médico.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica presencial ou por teleconsulta.




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