NR-1 e Saúde Mental: Como os Riscos Psicossociais Impactam o Colaborador e a Empresa
- Rochelle Affonso Marquetto

- 10 de out.
- 4 min de leitura

O mundo do trabalho vem passando por transformações intensas, e com elas cresce a necessidade de atenção à saúde mental dos colaboradores. A atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora 1), que trata das disposições gerais e do gerenciamento de riscos ocupacionais, trouxe à tona um ponto crucial: os riscos psicossociais. Mais do que fatores físicos e químicos, hoje as empresas precisam lidar também com questões ligadas ao bem-estar emocional e psicológico de seus profissionais.
Mas afinal, o que são esses riscos, como eles afetam colaboradores e empresas e qual é o papel do RH na gestão dessa realidade?
O que são riscos psicossociais?
Os riscos psicossociais são todos os aspectos do trabalho que podem afetar a saúde mental e o bem-estar dos colaboradores. Eles não estão ligados a máquinas, ruídos ou produtos químicos, mas sim a fatores organizacionais, relacionais e de gestão. Alguns exemplos incluem:
Exigência de metas excessivas.
Jornada prolongada e falta de pausas.
Assédio moral ou sexual.
Falta de clareza de papéis e funções.
Ambiente de trabalho hostil ou excludente.
Dificuldade em conciliar vida pessoal e profissional.
Quando não gerenciados, esses fatores podem resultar em estresse crônico, ansiedade, depressão e burnout, comprometendo tanto a vida pessoal quanto a profissional do colaborador.
NR-1: o que mudou na norma?
A NR-1 passou a incluir de forma mais explícita a necessidade de identificar, avaliar e controlar os riscos psicossociais como parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Isso significa que as empresas não podem mais se limitar a cuidar apenas dos riscos físicos ou ambientais; elas precisam considerar também os impactos emocionais e sociais do trabalho.
Essa mudança é um marco, pois reconhece que a saúde mental é parte integrante da saúde ocupacional e que sua negligência pode gerar passivos trabalhistas, aumento de afastamentos e queda de produtividade.
Como os riscos psicossociais afetam os colaboradores
Os efeitos dos riscos psicossociais vão muito além de um simples desconforto emocional. Eles impactam diretamente a forma como o colaborador se relaciona com o trabalho e com sua vida fora dele.
Entre os principais impactos estão:
Estresse e ansiedade: excesso de pressão ou falta de controle sobre as próprias atividades gera desgaste psicológico constante.
Burnout: síndrome reconhecida pela OMS como resultado do estresse crônico no trabalho.
Problemas físicos: insônia, dores musculares, queda da imunidade e até doenças cardiovasculares.
Queda de engajamento: colaboradores desmotivados, improdutivos e mais propensos a erros.
Impacto nas relações pessoais: dificuldade em manter equilíbrio emocional fora do trabalho.
Ou seja, os riscos psicossociais não afetam apenas o desempenho profissional, mas também a qualidade de vida como um todo.
Os impactos para as empresas
Para as organizações, ignorar os riscos psicossociais pode ter consequências sérias. Alguns dos reflexos mais comuns são:
Aumento do absenteísmo: afastamentos por problemas emocionais são cada vez mais frequentes.
Rotatividade elevada: ambientes hostis ou desgastantes fazem os talentos procurarem outras oportunidades.
Produtividade em queda: equipes desmotivadas e sobrecarregadas não entregam seu melhor.
Clima organizacional comprometido: insatisfação se espalha e afeta todo o time.
Custos trabalhistas e previdenciários: afastamentos e processos podem gerar despesas significativas.
Portanto, investir em prevenção não é apenas uma questão de cuidado humano, mas também de sustentabilidade e competitividade empresarial.
O papel estratégico do RH na gestão dos riscos psicossociais
O RH ocupa uma posição estratégica na prevenção e no gerenciamento dos riscos psicossociais previstos pela NR-1. Algumas práticas essenciais incluem:
1. Mapear os riscos psicossociais
Realizar pesquisas de clima, entrevistas e avaliações periódicas para identificar sinais de sobrecarga, conflitos ou insatisfação.
2. Criar políticas de bem-estar
Programas de saúde mental, incentivo ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e campanhas de conscientização fazem diferença.
3. Oferecer apoio psicológico
Parcerias com psicólogos, planos de saúde que incluam terapia e canais de escuta humanizada são recursos fundamentais.
4. Capacitar líderes
Gestores precisam ser preparados para identificar sinais de sofrimento emocional em suas equipes e agir de forma empática.
5. Promover diálogo aberto
Ambientes em que os colaboradores se sintam seguros para falar sobre suas dificuldades reduzem os efeitos dos riscos psicossociais.
6. Monitorar indicadores
Taxa de absenteísmo, turnover e engajamento devem ser constantemente acompanhados para ajustes nas estratégias.
Como promover saúde mental no trabalho remoto e híbrido
Um dos grandes desafios atuais é que muitos riscos psicossociais se intensificaram no modelo remoto e híbrido. O isolamento social, a falta de limites entre casa e trabalho e a sobrecarga digital ampliam os impactos emocionais.
Para enfrentar esse cenário, o RH pode:
Estabelecer regras claras de jornada e desconexão digital.
Incentivar pausas e momentos de autocuidado.
Promover encontros online de integração e bem-estar.
Oferecer treinamentos sobre gestão do tempo e equilíbrio emocional.
NR-1 e a cultura organizacional
Mais do que atender a uma norma legal, considerar os riscos psicossociais significa construir uma cultura organizacional saudável e sustentável. Empresas que se preocupam com o bem-estar de seus colaboradores não apenas reduzem problemas de saúde mental, mas também se tornam ambientes mais atrativos para talentos.
A transformação precisa começar no topo: quando líderes valorizam a saúde mental, esse comportamento se espalha e fortalece toda a organização.
Conclusão
A atualização da NR-1 deixou claro que a saúde mental é parte essencial da segurança no trabalho. Os riscos psicossociais, se negligenciados, comprometem tanto o colaborador quanto a empresa, refletindo em afastamentos, baixa produtividade e clima organizacional fragilizado.
O RH, por sua vez, tem papel decisivo nesse processo: mapear riscos, implementar políticas de bem-estar, apoiar líderes e oferecer suporte psicológico são medidas que fazem a diferença.
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