dentificar o autismo em adultos nem sempre é uma tarefa fácil.
Mesmo que não tenha recebido o diagnóstico na infância, alguns adultos costumam suspeitar que possuem o transtorno do espectro do autista (TEA).
Isso ocorre principalmente quando notam que sua forma de pensar, agir ou sentir diferem do que é esperado socialmente.
Outro ponto, é que a dificuldade na interação social é algo comum em quem possui o transtorno, o que pode ser mal interpretado como sintoma.
A verdade, é que cada pessoa tem suas particularidades e por mais que seja um desafio, o diagnóstico ajuda trazer mais clareza, apoio e compreensão.
Nesse artigo, vamos falar mais sobre o assunto. Acompanhe!
O que é autismo?
Autismo é uma condição neurológica e de desenvolvimento que afeta como uma pessoa percebe o mundo, interage com outras pessoas e se comunica.
Geralmente, ele impacta as seguintes áreas:
Comportamento
Linguagem
Comunicação
Interação social.
Costuma manifestar-se na infância, e pode variar em gravidade, desde casos mais severos de isolamento até dificuldades mais leves de interação social.
Não é uma doença, mas sim um espectro, o que significa que cada pessoa com autismo pode ter um conjunto único de características.
Algumas pessoas com autismo precisam de mais apoio no dia a dia, enquanto outras podem ser bastante independentes.
O importante é entender que o autismo faz parte da diversidade humana.
Quando o autismo passa despercebido na infância?
Muitas crianças com autismo leve ou de “alto funcionamento” costumam não apresentar características óbvias do transtorno.
Assim, podem realizar atividades cotidianas sem chamar atenção para a condição.
A capacidade cognitiva dessas crianças dá certa autonomia, apesar das dificuldades em manter interações sociais e contato visual.
Muitas vezes, elas até conseguem disfarçar ou lidar bem com a condição, o que dificulta ainda mais o diagnóstico precoce.
Por exemplo, um adulto com autismo leve pode ter aprendido a conviver com situações sociais ao longo dos anos, o que mascara os sintomas.
Autismo no mundo
De acordo com a ONU, estima-se que existam mais de 70 milhões de pessoas no mundo com autismo.
A prevalência é maior em meninos, com uma proporção de quatro meninos para cada menina com autismo.
Adultos com autismo, podem apresentar perspectivas individuais e intensidades de foco para diferentes campos de interesse ou trabalho.
Isso destaca a importância de ambientes inclusivos que reconheçam e valorizem essas contribuições.
Como identificar o autismo em adultos?
Nem sempre é fácil identificar o autismo em adultos, pois os sintomas podem se manifestar de forma diferente quando comparado com crianças.
No entanto, alguns adultos costumam suspeitar do espectro quando passam a entender melhor o conceito e percebem características como:
Dificuldades na comunicação: tanto dificuldades verbais quanto não verbais, falta de contato visual, tom de voz monótono ou incomum, e dificuldade em iniciar ou manter conversas.
Padrões de comportamento repetitivos: comportamentos repetitivos, como movimentos motores estereotipados, fixação em rotinas ou interesses específicos.
Desafios na socialização: sentir-se deslocado em interações sociais, ter dificuldade em compreender pistas sociais sutis ou manter amizades duradouras pode despertar a suspeita de que algo está diferente.
Compreensão Literal: dificuldade em entender metáforas, sarcasmo ou expressões idiomáticas, levando a interpretações literais do que é dito.
Sensibilidades Sensoriais: hipersensibilidade ou hipoatividade a estímulos sensoriais, como luz, som, texturas ou cheiros, também são indicativos de autismo em adultos.
No entanto, o diagnóstico do autismo em adultos só pode ser feito após uma avaliação mais abrangente, pois cada pessoa é única e pode manifestar o espectro de formas diferentes.
Vamos entender melhor isso?
Entendendo os níveis de Autismo
O autismo pode se manifestar em diferentes graus de intensidade, conhecidos como níveis de autismo.
Esses níveis são determinados com base na severidade dos sintomas e no impacto que têm na vida diária da pessoa.
Existem três níveis de autismo:
Nível 1: Leve (Pouco Suporte)
No nível leve, também conhecido como autismo de ‘auto funcionamento’, a pessoa pode sentir dificuldades em se comunicar e interagir, mas isso não chega a ser um impeditivo total.
Algumas delas preferem ficar sozinhas e têm problemas para organizar sua rotina ou fazer amigos, o que atrapalha sua independência plena.
Por exemplo, elas podem precisar de lembretes para cumprir tarefas ou de ajuda para fazer amigos.
Nível 2: Moderado (Suporte)
Aqui, as dificuldades são mais claras e a pessoa pode precisar de um suporte maior.
Mesmo que consiga se comunicar e interagir, isso geralmente ocorre de maneira limitada, pois sentem maior dificuldade para entender o que os outros estão dizendo.
A dificuldade com mudanças, a falta de interesses por novidades e a necessidade de seguir rotinas rígidas, são características desse nível.
Nível 3: Severo (Maior Suporte/Apoio)
No nível severo, a pessoa pode não conseguir falar ou se expressar sem ajuda ou suporte.
Essa fase é marcada pelo ‘baixo funcionamento’ e demanda bastante atenção.
As interações sociais são limitadas e a pessoa pode preferir até ficar sozinha.
Além disso, é comum apresentar quadros de comportamentos rígidos e repetitivos.
Sinais de autismo em adultos
À medida que a conscientização sobre o autismo aumenta, muitos adultos começam a reconhecer em si mesmos características que podem indicar a presença do transtorno do espectro autista (TEA).
Isso levanta uma questão importante: quais são os sinais de que um adulto pode ter autismo?
Aqui, vamos falar de alguns dos indicadores mais comuns.
Comunicação e Socialização:
Dificuldades para pegar nuances na comunicação, como sarcasmo ou piadas.
Tendem a levar conversas ao pé da letra e podem não captar indiretas ou subtextos.
Mostram desafios em ler emoções alheias ou expressar as próprias de maneira convencional.
Interesses e Comportamentos:
Demonstram forte apego a rotinas e resistência a mudanças, o que leva a ansiedade se houver alterações inesperadas.
Apresentam interesses específicos, muitas vezes se aprofundando em tópicos de forma intensa e detalhada.
Exibem padrões de comportamento repetitivos ou restritivos.
Relações Sociais:
Podem achar complicado iniciar ou manter relações sociais e amizades.
Ficam desconfortáveis com demonstrações físicas de afeto de pessoas com quem não têm intimidade.
Utilizam uma linguagem formal e direta, às vezes percebida como brusca ou fora de contexto.
Sensibilidade Sensorial:
Reagem de forma intensa a estímulos sensoriais, como sons altos, luzes fortes ou texturas e cheiros.
Podem preferir ambientes tranquilos e têm preferências alimentares restritas por sensibilidade a texturas ou sabores.
Estes sinais variam e nem todos precisam estar presentes para que alguém seja considerado no espectro autista.
Tratamentos de autismo em adultos
O tratamento do autismo em adultos é personalizado e pode envolver uma equipe de especialistas.
Cada indivíduo tem necessidades diferentes e pessoais, e o plano de tratamento reflete isso.
Vamos ver os principais pontos de tratamento e como eles ajudam no desenvolvimento e bem-estar do autista.
Equipe Multidisciplinar
O suporte começa com uma equipe de especialistas, que incluem psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e outros profissionais, todos trabalhando juntos para entender as necessidades de cada indivíduo.
Intervenções Psicológicas:
Psicoterapia: Essencial para desenvolver habilidades sociais e aprender a gerenciar estresse e ansiedade. A terapia ABA e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) são exemplos que ajudam a melhorar a comunicação e a modificar comportamentos rígidos.
Terapia Ocupacional: Útil para quem enfrenta problemas sensoriais e de relacionamento. Ajuda a adaptar-se a diferentes estímulos sensoriais e a melhorar a autonomia nas atividades diárias.
Medicamentos: Enquanto não existem medicamentos específicos para tratar o autismo, condições coexistentes como depressão e ansiedade podem ser tratadas com medicamentos prescritos por um psiquiatra.
Acompanhamento Personalizado
Além do tratamento padrão, alguns adultos podem necessitar de acompanhamento específico, como:
Neurologia: Consultas periódicas com um neurologista podem ser importantes para monitorar o progresso e ajustar o plano de tratamento conforme necessário.
Psicologia Comportamental e Psiquiatria: Para um tratamento mais focado em comportamentos específicos e, quando necessário, tratamento medicamentoso.
Adaptação ao Indivíduo: O mais importante no tratamento do autismo em adultos é a adaptação às necessidades individuais. Isso pode significar focar mais nas capacidades sociais, sensoriais, ou no suporte emocional, dependendo das dificuldades enfrentadas.
Conclusão
Esperamos que esse artigo possa ter te ajudado a entender melhor sobre o autismo em adultos.
Acreditamos que o diagnóstico, seja na infância ou fase adulta, é o que trará alívio, pois com ajuda adequada essas pessoas poder viver uma vida muito mais saudável e feliz.
Convidamos você a se aprofundar mais nos conteúdos do blog da Pontual Psiquiatria e continuar aprendendo sobre transtornos e saúde mental!
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