Síndrome de Estocolmo: como identificar?
- Rochelle Affonso Marquetto
- há 7 dias
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A mente humana tem uma capacidade impressionante de se adaptar a situações extremas. Em alguns contextos, essa adaptação pode gerar reações que desafiam a lógica como a Síndrome de Estocolmo, é uma resposta psicológica que pode acontecer em pessoas que encontram-se em situação de tensão, como no caso de sequestros, prisão domiciliar ou situações de abuso, por exemplo, fazendo com que a vítima, de forma subconsciente, estabeleça simpatia ou uma conexão mais pessoal e laços emocionais de amizade ou afeto com o agressor, ao invés de medo ou repulsa, como forma de preservar a vida.
O nome surgiu após um assalto a banco em Estocolmo, na Suécia, em 1973, quando reféns começaram a demonstrar empatia e até defender seus sequestradores após dias de cativeiro. Desde então, o termo passou a ser usado para descrever esse fenômeno psicológico paradoxal que não se limita apenas a casos criminais, mas também pode acontecer em relacionamentos abusivos, contextos familiares e até ambientes de trabalho.
O que é a Síndrome de Estocolmo?
A Síndrome de Estocolmo é uma resposta de sobrevivência. Diante do medo, o cérebro busca estratégias inconscientes para reduzir o risco e garantir proteção. A vítima, sentindo-se vulnerável e sem saída, começa a enxergar pequenos gestos de “bondade” do agressor como sinais de afeto, criando uma confusão emocional entre dependência, medo e gratidão.
Esse vínculo não é genuinamente afetivo, nasce apenas da tentativa da mente de encontrar segurança em meio ao perigo. Assim, a pessoa passa a justificar comportamentos abusivos, minimizar a gravidade da violência e, muitas vezes, sentir culpa ou medo de romper o vínculo.
Principais sinais e manifestações
Identificar a Síndrome de Estocolmo pode ser difícil, especialmente para quem está vivendo a situação. Alguns sinais comuns incluem:
Desenvolvimento de sentimentos positivos para o agressor;
Simpatia pelas crenças, valores, objetivos e comportamento do agressor;
Desenvolvimento de identificação emocional ou laços de amizade, afeto ou amor pelo agressor;
Desenvolvimento de sentimentos negativos pela polícia, autoridades ou outras pessoas que estejam ajudando a vítima a se afastar do agressor;
Ressentimento da vítima por qualquer pessoa que esteja tentando ajuda-la a escapar do agressor;
Desejo de proteger o agressor.
Esses sinais não indicam fraqueza, mas um mecanismo de autopreservação profundamente inconsciente, criado para suportar a dor e o medo constantes.
Quando o vínculo é uma forma de defesa
A Síndrome de Estocolmo não é reconhecida oficialmente nos manuais de diagnóstico psiquiátrico e, portanto, não possui sinais e sintomas cientificamente comprovados ou amplamente estudados. Ainda assim, pode ser identificada por meio de certos comportamentos observados em pessoas expostas a situações de intenso estresse e ameaça à própria vida.
Indivíduos que apresentam essa condição podem também manifestar sintomas semelhantes aos do transtorno de estresse pós-traumático, como lembranças intrusivas ou “flashbacks”, irritabilidade, ansiedade, nervosismo, dificuldade de concentração, desconfiança e perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer e bem-estar. A mente, em situações de ameaça, busca qualquer elemento que traga sensação de segurança mesmo que esse elemento seja o próprio agressor.Com o tempo, essa relação se torna confusa, marcada por culpa, vergonha e dependência, o que torna o rompimento ainda mais difícil.
Por isso, julgar uma vítima que permanece em uma relação abusiva ou demonstra apego ao agressor é injusto e contraproducente. O que ela precisa não é julgamento, mas acolhimento e apoio especializado.
A importância do acompanhamento psicológico e psiquiátrico
Quadros como esse exigem um processo terapêutico cuidadoso e compassivo. O acompanhamento psicológico ajuda a pessoa a reconstruir sua autonomia emocional, compreender os sintomas, as lembranças e buscar equilíbrio nas tomadas de decisão. Em casos mais severos, o acompanhamento psiquiátrico pode ser necessário para tratar sintomas associados, como ansiedade, depressão, insônia ou estresse pós-traumático.
A recuperação passa por reaprender a confiar em si mesmo e no mundo, fortalecendo a autoestima e o senso de segurança. É um processo que demanda tempo, paciência e, acima de tudo, empatia.
O primeiro passo é reconhecer
Reconhecer os sinais é o primeiro passo para romper o ciclo de dependência emocional e reconstruir uma vida com liberdade e dignidade.
Acolher-se, pedir ajuda e compreender que o afeto verdadeiro nunca nasce do medo são atitudes fundamentais para o processo de cura.
Vínculos saudáveis não causam medo nem culpa. Se você ou alguém que conhece vive uma relação confusa e dolorosa, procure ajuda profissional. Cuidar de si é o primeiro passo para reencontrar a liberdade emocional.


