Transtorno depressivo maior: o que é, como reconhecer e quando buscar ajuda
- Rochelle Affonso Marquetto

- 24 de set.
- 4 min de leitura

O Transtorno Depressivo Maior (TDM), também conhecido como depressão clínica, é uma condição de saúde mental caracterizada por uma combinação persistente de tristeza profunda, perda de interesse em atividades do dia a dia e sintomas físicos e emocionais que impactam o funcionamento social, profissional e pessoal de forma significativa.
Ao contrário da tristeza passageira ou da frustração comum diante dos desafios da vida, o TDM é uma condição médica diagnosticável que exige atenção e tratamento adequado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão é uma das principais causas de incapacidade no mundo.
O que caracteriza o Transtorno Depressivo Maior?
De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), para que o TDM seja diagnosticado, é necessário que o indivíduo apresente pelo menos cinco dos seguintes sintomas durante um período de duas semanas, sendo que um deles deve ser humor deprimido ou perda de interesse/prazer (anedonia):
Humor deprimido na maior parte do dia
Perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades
Alterações significativas no apetite e/ou peso
Distúrbios no sono (insônia ou hipersonia)
Fadiga ou perda de energia
Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva
Dificuldade de concentração ou indecisão
Pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida, ou tentativa de suicídio
Esses sintomas devem provocar sofrimento clinicamente significativo e prejudicar áreas importantes da vida da pessoa, como trabalho, estudo, relacionamentos e autocuidado.
Sinais de alerta: quando a tristeza vira depressão
É comum confundir sintomas do TDM com fases difíceis da vida. No entanto, alguns sinais merecem atenção:
Sentir-se constantemente esgotado, mesmo sem esforço físico
Afastar-se de amigos e familiares
Perder interesse em coisas que antes davam prazer
Irritabilidade constante ou apatia
Chorar com frequência ou se sentir emocionalmente “vazio”
Pensamentos de inutilidade ou de que “a vida não faz sentido”
A depressão pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa. Em crianças, ela pode se mostrar como irritabilidade ou queda de rendimento escolar; em idosos, como queixas físicas e isolamento progressivo.
Quais são as causas do TDM?
O Transtorno Depressivo Maior é multifatorial. Ou seja, não tem uma causa única. Entre os fatores que contribuem para seu surgimento, destacam-se:
Genética: histórico familiar aumenta o risco
Desequilíbrio químico cerebral: baixos níveis de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina
Traumas psicológicos: abuso, luto, separações, abandono
Estresse crônico: sobrecarga no trabalho, pressão social, dificuldades financeiras
Condições médicas: dores crônicas, distúrbios hormonais, doenças neurológicas
Uso de substâncias: álcool e drogas podem desencadear ou agravar episódios depressivos
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do TDM é feito por um psiquiatra ou psicólogo clínico, com base em:
Avaliação clínica dos sintomas, intensidade e duração
Entrevistas estruturadas (como o PHQ-9)
Histórico médico e familiar
Exclusão de outras causas (hipotireoidismo, anemia, etc.)
É importante diferenciar o TDM de outros transtornos, como transtorno bipolar (que inclui episódios de mania), distimia (forma mais leve e crônica de depressão) e transtornos de ansiedade, que podem coexistir com a depressão.
Tratamento: quais são as opções?
O tratamento do Transtorno Depressivo Maior pode envolver:
1. Psicoterapia
É a base do tratamento para muitos casos. A mais indicada é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a identificar e modificar pensamentos disfuncionais e comportamentos prejudiciais. Outras abordagens eficazes incluem a terapia interpessoal e a terapia psicodinâmica.
2. Medicação
Em casos moderados a graves, o uso de antidepressivos (como ISRSs e IRSNs) pode ser necessário. A medicação deve ser prescrita por um psiquiatra e monitorada regularmente.
3. Mudanças no estilo de vida
Prática regular de exercícios físicos
Alimentação equilibrada
Sono adequado
Redução do uso de álcool e drogas
Atividades de lazer e contato com a natureza
4. Tratamentos complementares
Meditação e mindfulness
Acupuntura
Grupos de apoio
Suplementação (em casos de deficiência de vitamina D, ômega 3 ou B12, com prescrição médica)
Dicas práticas para quem enfrenta o TDM
Estabeleça uma rotina simples: não precisa ser perfeita, apenas previsível
Quebre as tarefas em partes pequenas: isso ajuda a vencer a inércia
Mantenha vínculos sociais: mesmo quando parecer difícil
Evite decisões importantes durante a crise
Celebre pequenos progressos: levantar da cama, tomar banho, caminhar
Fale abertamente sobre o que sente com alguém de confiança
Busque ajuda profissional o quanto antes. Depressão tem tratamento!
E para quem convive com alguém em depressão?
Evite frases como “isso é frescura” ou “você precisa se esforçar mais”
Ofereça escuta empática e presença
Ajuda com tarefas práticas (compras, consultas, organização)
Estimule, mas não pressione
Saiba que o apoio familiar é parte do tratamento, mas não substitui o acompanhamento profissional
Quando a depressão pode ser grave?
Alguns sinais indicam necessidade urgente de atendimento:
Ideação ou tentativa de suicídio
Isolamento completo
Incapacidade de realizar tarefas básicas (comer, se higienizar, sair da cama)
Sintomas psicóticos (vozes, delírios)
Nesses casos, procure ajuda médica imediata ou ligue 192 (SAMU) ou 188 (CVV - Centro de Valorização da Vida).
O Transtorno Depressivo Maior é uma doença real, séria, mas tratável. Reconhecer os sinais precocemente e buscar ajuda profissional são passos fundamentais para a recuperação. Com apoio adequado, autocuidado e tratamento personalizado, é possível retomar a alegria, a autonomia e o sentido da vida.
Lembre-se: pedir ajuda não é fraqueza. É coragem.
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