Medicamento psiquiátrico pode dar dependência? Mitos e realidade
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"Tenho medo de tomar e criar dependência." Essa frase aparece com frequência nos consultórios psiquiátricos — e muitas vezes é o principal motivo pelo qual uma pessoa resiste ao tratamento medicamentoso mesmo quando precisa dele.
Dependência: o que significa clinicamente
Dependência química envolve dois elementos: tolerância (necessidade de doses crescentes para o mesmo efeito) e síndrome de abstênência (sintomas ao interromper abruptamente o uso). Não basta o medicamento causar efeitos — precisa criar tolerância e provocar abstênência.
Medicamentos que NÃO causam dependência
Antidepressivos (ISRS e IRSN): os mais prescritos para depressão e ansiedade. Não causam dependência química. O que pode acontecer ao interromper abruptamente é a síndrome de descontinuação — diferente de dependência, resolve-se com retirada gradual.
Estabilizadores de humor (lítio, valproato, lamotrigina): sem risco de dependência.
Antipsicóticos: sem perfil de dependência.
Medicamentos que TÊM risco real de dependência
Benzodiazepínicos (clonazepam, alprazolam, diazepam): têm risco real de dependência com uso prolongado. Por isso, as diretrizes indicam uso por períodos curtos (semanas a poucos meses) com supervisão rigorosa.
Estimulantes (metilfenidato, lisdexanfetamina): têm potencial de abuso quando usados sem indicação clínica. No uso correto e supervisionado para TDAH, o risco é muito menor.
Na Clínica Pontual, em Porto Alegre, toda prescrição é acompanhada de explicação completa sobre o medicamento, seus efeitos e os procedimentos de retirada.

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